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Cálculos políticos na prolongada ausência de JES do país

JESO Presidente deixou Luanda em 27.Jun. O regresso esteve inicialmente previsto para 13 de Julhol, mas foi adiado – eventualmente para 27/28 de Julho. Em anos anteriores, viagens da mesma natureza nunca excederam duas semanas, por vezes interpoladas – tempo considerado suficiente para efectuar exames clínicos e repouso.

O aproveitamento político que José Eduardo dos Santos pretendeu fazer da sua ausência foi considerado oportuno devido a uma nova vaga de conjecturas internas pondo em causa os seus propósitos em relação ao futuro político do Vice Presidente, Manuel Vicente, nomeadamente quanto à hipótese de vir a substituí-lo como Presidente. As referidas conjecturas, cíclicas, tiveram agora fulcro uma passagem da entrevista de José Eduardo dos Santos à SIC, remetendo para o partido, MPLA, um papel decisivo na escolha e apresentação do nome do seu futuro substituto como Presidente. Manuel Vicente não goza na direcção do MPLA de apoios vastos e/ou sólidos.

A chamada “ausência de empatia” entre uma corrente da direcção do MPLA e Manuel Vicente é associada a “handicaps” do actual Vice Presidente – no juízo de elementos da mesma descritos em termos como os seguintes:

  • Não tem estatuto político-partidário (ou passado político, conforme expressão preferida); idem, em relação a aptidões políticas.
  • É conotado com José Eduardo dos Santos, assim “absorvendo” elementos negativos da personalidade deste, a sua impopularidade em especial, capazes de limitar a sua base de apoio político e eleitoral.
  • Como PCA da Sonangol, que foi até há pouco tempo, é visto como pertencente ao chamado “pessoal do petróleo”, uma condição socialmente depreciativa devido à sua relação com privilégios e ostentações geradores de aversão.

Iniciativas assinaladas recentemente com o fim aparente de “desidentificar” Manuel Vicente com negócios privados, geralmente associados ao “pessoal do petróleo”, foram baseadas em percepções segundo as quais tal seria indispensável para ajudar a afirmar a sua nova imagem política e de estadista.

A oposição a Manuel Vicente

No regime e no partido tem vindo a afirmar-se uma oposição a José Eduardo dos Santos que pela sua composição e condições de afirmação apresenta tendências de alastramento e não o contrário. A fraca aceitação de Manuel Vicente no partido é a mesma a que são votadas outras figuras conotadas com José Eduardo dos Santos, entre as quais H Vieira Dias “Kopelipa”. A oposição a Manuel Vicente na direcção do partido mobiliza ostensivamente “dignitários” influentes tais como Magalhães Paiva “Nvunda”, Afonso Van Dunem “Mbinda” e Dino Matrosse, entre outros. De forma mais recatada, conforme as circunstâncias, o fenómeno é, porém, mais amplo.

Com a sua longa ausência do país, José Eduardo dos Santos terá pretendido esvaziar tais ilações/intrigas – de que foi posto ao corrente, a par de informações que apresentavam Manuel Vicente como estando “esmorecido”. O desempenho do Vice Presidente na ausência de José Eduardo dos Santos, com constante cobertura mediática, correspondeu formalmente ao de Presidente interino.

Os rumores que põem em causa a hipótese de Manuel Vicente vir a substiutuir José Eduardo dos Santos afectam o próprio, que continua a revelar diminuto interesse ou apetências pela política. A sua convicção própria é a de que teria sido mais útil ao país no desempenho do papel de empresário e gestor – para que se sente mais vocacionado.

 

Africa Monitor, 25 de julho de 2013

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