Venda de tractores regista diminuição

venda tractoresA venda de tractores e outros equipamentos agrícolas caiu nos últimos dois anos, no mercado nacional, de acordo com os importadores, que estiveram presentes na última edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA).

O director comercial da empresa Multi Auto, vocacionada para o comércio de tractores de pequeno, médio e grande porte, Humberto Pimenta, considerou a situação “preocupante” numa altura em que o Executivo tem na agricultura um dos sectores-chave para a diversificação da economia.

“Actualmente, temos um stock suficiente para responder à procura. Além disso, prestamos assistência técnica e damos formação aos compradores”, declarou.

Humberto Pimenta acrescentou que os agricultores pedem facturas pró-forma com o objectivo de remetê-las aos bancos e posteriormente informam que não foram bem sucedidos. Na mesma situação está a empresa Comfabril, representante oficial da New Holland, líder mundial de produção de tractores.

Nestes últimos anos, as vendas foram quase nulas. “Estamos a correr o risco de ir à falência, porque não temos compradores.

A maior parte dos fazendeiros nacionais não tem dinheiro. Mesmo com os apelos do Executivo, os bancos não querem cooperar”, disse um dos directores da Comfabril.

A empresa Ferpinta tem como maiores clientes instituições do Estado. O director comercial, Jorge Silva, confessou que, se não fosse esta parceria, a empresa tinha dificuldades. Em 2011, a empresa inaugurou uma linha de montagem de alfaias agrícolas.

“Montamos esta linha em Luanda, em função do programa do Executivo que visava o fomento do sector agrícola. Neste momento, estamos a montar anualmente 1000 grupos de alfaias”, sublinhou. O Executivo lançou em 2011 vários programas de apoio ao sector agrícola, com principal realce para o Crédito Agrícola de Investimento e Crédito de Campanha Agrícola destinado a produtores nacionais.

O Crédito Agrícola de Investimento, avaliado em 20 mil milhões de kwanzas, foi lançado no âmbito do Programa de Fortalecimento dos Pequenos e Médios Produtores Agro-Pecuários. Os produtores podem beneficiar de até 50 milhões de kwanzas, concedidos com uma taxa de juro de 6,7 por cento.

O prazo de amortização vai até oito anos. É subscritor deste programa o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

O Crédito de Campanha Agrícola, com um valor de 15 mil milhões de kwanzas e uma taxa de juros de cinco por cento ao ano, reembolsável até dez meses, tem como subscritores o Banco de Poupança e Crédito (BPC), o Banco de Comércio e Indústria (BCI), o Novo Banco e o Banco Sol. Domingos Rocha Tomás tem participado na Feira Internacional de Luanda (Filda) na esperança de encontrar uma parceria para desenvolver a cultura da soja na sua fazenda, localizada na província do Uíge.

Depois de quatro anos sem sucesso à espera de financiamentos do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) viu na edição deste ano a solução do seu problema. Mas as exigências impostas por alguns expositores fizeram-no recuar. “Não tenho capital inicial e as propostas que recebi não são vantajosas para o meu lado”, afirma.

Com 750 hectares, o agricultor disse que precisa numa primeira fase de 50 milhões de kwanzas para a compra de equipamentos agrícolas no sentido de desenvolver a cultura da soja. As instituições financeiras angolanas não têm sido flexíveis com os agricultores, exigindo condições “fora do comum”, para conceder o crédito agrícola. “Nem mesmo o BDA, BPC, BCI e demais instituições com as quais o Executivo assinou protocolos facilitam a nossa vida. Pelo contrário”, lamentou.

O agricultor lembrou que o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Afonso Canga, garantiu na altura do lançamento dos programas de Crédito Agrícola de Campanha e o Crédito Agrícola de Investimento que os grandes agricultores podem recorrer à linha de crédito, com comprovativos do título de propriedade das terras, onde pretendem investir. “Eu tenho todos esses comprovativos mas não recebo financiamento”, afirmou.

O agricultor Paulo Gonçalves, do Lubango, disse que numa das agências do Banco de Poupança e Crédito (BPC) foi informado de que os produtores que aderirem ao programa Crédito Agrícola de Investimento deviam apresentar logo à partida um valor mínimo variável entre os 2,5 e 10 por cento do montante a solicitar. “Quando nos foi informado sobre estes produtos em palestras que participámos, em nenhum momento nos foi dito sobre a necessidade de termos valor mínimos para o efeito”, disse.

O agricultor procedeu à entrega ao BPC do seu projecto em 2012 que visava desenvolver a cultura do milho numa área de dois mil hectares no município de Caconda, província da Huíla.

Paulo Gonçalves tem estado a visitar a Filda à busca de parceiros para desenvolver os seus projectos. “Numa altura em que o Executivo aposta na diversificação da Economia não se compreende como os bancos estão sensíveis a outros sectores e não à agricultura”, afirmou Paulo Gonçalves.

Condições de acesso

Para aderir ao Crédito Agrícola de Investimento os candidatos têm de ser pessoas singulares e colectivas capazes de adoptarem, no processo de produção, as soluções tecnológicas que permitam um aumento da produtividade e não constarem do cadastro de crédito no Banco Nacional de Angola ou de qualquer instituição financeira domiciliada em Angola, nem terem dívidas ao Estado e à segurança social.

Os candidatos devem ainda possuir residência no município do projecto, nunca terem sido condenados por crimes de falência, dolosa ou negligente, falsificação, furto, burla por defraudação, abuso de confiança, descaminho, evasão fiscal ou outros crimes de natureza económica, e gozarem de prestígio na comunidade.

Constituem ainda requisitos, exercer a actividade agrícola que é objectivo do crédito no município e ter a situação jurídica regularizada.

O Crédito Agrícola de Investimentos é concedido aos pequenos e médios produtores de forma singular ou agrupados em associações e cooperativas com o objectivo de financiar investimentos.

 

Jornal de Angola, 6 de agosto de 2013

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