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Vida e obra de Óscar Ribas em debate

vida e obra“O Contributo de Óscar Ribas na divulgação e preservação da literatura tradicional angolana” é o tema de uma palestra a ser realizada no próximo dia 17, às 10h00, na escola 9004, em Viana, Luanda.

A palestra, que se enquadra no programa de actividades culturais para assinalar o terceiro aniversário do Movimento Literário Vianense (MLV), que se assinala sábado, tem como orador o escritor José Luís Mendonça.

Sandro Feijó, coordenador do Movimento Literário Vianense, disse ontem ao Jornal de Angola que a organização pretende reflectir este mês sobre a vida e obra de Óscar Ribas, com a realização de várias iniciativas culturais, entre palestras, exposições fotográficas e feira literária. O objectivo é dar a conhecer aos estudantes a obra deste autor, de forma a promover debates literários em todas as suas vertentes e para que as novas gerações conheçam a sua grandiosidade.

Quanto ao Movimento, explicou tratar-se de uma organização artístico-literária, com o propósito de congregar e promover jovens escritores do município de Viana.

Este projecto tem ainda a finalidade de estimular o intercâmbio cultural e a publicação de livros. “Temos realizado várias visitas a instituições de caridade com o propósito de levar alegria às crianças e as incentivar ao gosto pela leitura”, disse Sandro Feijó.

A criação da referida agremiação, realçou, surgiu numa altura em que “não havia uma organização que pudesse orientar e incentivar os jovens à prática literária”.

O Movimento Literário Vianense foi agraciado em 2012, pela Administração Municipal de Viana com um certificado de Mérito, pelo seu contributo na dinamização da arte literária em Viana e publicou no mesmo ano o livro “Seja optimista, a persistência é o caminho para o sucesso”, da autoria do escritor Sandro Feijó, cuja reedição chega ao mercado em 2014.

Escritor, jornalista e ensaísta angolano, Óscar Ribas nasceu a 17 de Agosto de 1909, em Luanda, e faleceu a 19 de Junho de 2004, em Cascais (Portugal).

Escritor prestigiado nos meios literários nacionais e internacionais, e membro da União de Escritores Angolanos (UEA), Óscar Ribas foi galardoado com vários prémios, com destaque para Margaret Wrong (1952), de Etnografia do Instituto de Angola (1959) e Monsenhor Alves da Cunha (1964).

Óscar Ribas foi agraciado a título póstumo com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, nas categorias de literatura e investigação em Ciências Sociais e Humanas, outorgado pelo Ministério da Cultura, em 2000.

Considerado fundador da ficção literária, Óscar Ribas iniciou a sua actividade literária ainda estudante de Liceu. Tem publicado os livros “Nuvens que passam” , (1927),(novela), “Resgate de uma falta” , (1929), (novela), “Flores e espinhos Uanga”, (1950), “Ecos da minha terra”, (1952).

Em toda a produção literária posterior, Óscar Ribas demonstra uma propensão pouco comum entre os escritores da sua geração e mesmo em gerações posteriores. Revela-se profundamente preocupado com os temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua quimbundo. Destas preocupações resultam a sua bibliografia dos anos 60: “Uanga - Feitiço” (Romance Folclórico), “Ilundo - Espíritos e Ritos Angolanos” (1958,1975), “Missosso 3 volumes” (19­61,­19­62,­1964), “Alimentação regional an­golana” (1965), “Izomba - Associativismo e recreio” (1965), “Sunguilando - Contos tradicionais angolanos” (1967, 1989), “Kilandukilu - Contos e instantâneos” (1973), “Tudo isto aconteceu - Romance autobiográfico” (19­75), “Cultuando as musas - poesia” (1992), e “Dicionário de Regionalismos angolanos”.

 

Jornal de Angola, 7 de agosto de 2013

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